Na Eco Caminhos, a agrofloresta está no centro de tudo o que fazemos. Acreditamos que a agrofloresta é a resposta mais poderosa para a crise ambiental, uma abordagem que toma a floresta natural como professora e uma das formas mais gratificantes de fazer voluntariado no Brasil.
As florestas naturais evoluíram ao longo de bilhões de anos até se tornarem ecossistemas perfeitamente equilibrados, que sustentam toda a vida na Terra. A monocultura, por outro lado, destruiu grande parte das nossas florestas nos últimos 10 mil anos, empobrecendo a fertilidade do solo e deixando para trás terras degradadas que dependem de fertilizantes químicos e irrigação. O resultado: aumento das temperaturas, secas prolongadas e expansão de desertos.
E, ainda assim, a monocultura subsidiada continua. Pesquisas nos EUA indicam que a monocultura exige 7 calorias de energia para produzir apenas 1 caloria de alimento, além de poluir o ar, a água e a cadeia alimentar. A agrofloresta oferece um caminho radicalmente diferente.
Acreditamos que ela é a única forma viável de alimentar 8 bilhões de pessoas enquanto restauramos um planeta saudável e habitável. Na nossa fazenda de permacultura no Brasil, passamos mais de 9 anos estudando e praticando essa técnica e sentimos que estamos apenas no começo.
Somente a Mata Atlântica abriga mais de 300.000 espécies de animais e plantas. Na fazenda, temos aproximadamente 260 espécies vegetais. Essa escala de biodiversidade é um lembrete constante de quanto ainda há para aprender e de como uma experiência de vida sustentável aqui é diferente de qualquer outra.
Se você busca aprender permacultura no Brasil, participar de trabalho voluntário em agrofloresta ou fazer parte de um verdadeiro programa de voluntariado em uma ecofazenda, a Eco Caminhos oferece exatamente isso. Junte-se a nós na Mata Atlântica e ajude a construir algo real.
17.000 árvores plantadas
260 espécies diferentes
4.000 plantas de café

Desde nosso primeiro experimento de agrofloresta em 2017, desenvolvemos seis sistemas agroflorestais (SAFs 1–6), abrangendo diferentes estágios de desenvolvimento, desde áreas recém-plantadas até florestas agroflorestais maduras. Ao longo dos anos, expandimos cuidadosamente, permitindo que cada sistema se tornasse saudável, resiliente e de baixa manutenção antes de avançarmos para o próximo.
Hoje, nossos SAFs têm entre 1 e 9 anos de idade, oferecendo aos visitantes uma oportunidade única de acompanhar a evolução da agrofloresta na prática. Na Eco Caminhos, os visitantes vivenciam um aprendizado prático, ajudando no manejo dos sistemas, plantando novas áreas e explorando parcelas agroflorestais em diferentes fases de crescimento.

Cada vez que expandimos nossos sistemas agroflorestais, começamos preparando cuidadosamente uma nova área de terra e protegendo-a com cercas para que as vacas não entrem. Em seguida, restauramos o solo, realizando uma leve aração superficial, permitindo que o ar, a água da chuva e as raízes das plantas penetrem mais profundamente e devolvam a vida ao solo.
Para reequilibrar o solo naturalmente ácido, adicionamos pó de calcário junto com uma rica combinação de fertilizantes naturais, incluindo esterco de vaca para fornecer nitrogênio, farinha de ossos para fósforo e o Yourin, uma mistura mineral rica em fósforo, cálcio, magnésio, silício e micronutrientes.
Por fim, moldamos os canteiros de plantio e os cobrimos com até 30 cm de biomassa, criando uma base rica em nutrientes que protege o solo e sustenta um crescimento saudável e regenerativo.

Começamos plantando o que chamamos de “placenta”, a primeira camada de vegetação que prepara o ambiente ideal para o futuro desenvolvimento da floresta. Essas plantas pioneiras regeneram o solo, criam sombra, produzem biomassa e restauram nutrientes de forma natural.
Em seguida, introduzimos espécies nativas da Mata Atlântica, árvores frutíferas e madeiras nobres utilizadas em nossos projetos de bioconstrução, criando um ecossistema diverso e resiliente.
Por fim, plantamos árvores de crescimento lento e de clímax, como ipê e jacarandá, que podem viver por centenas de anos e moldar a floresta futura. Após cerca de dois anos, introduzimos nossa “planta rainha”, o café, que prospera sob as condições equilibradas criadas pelo sistema.
Para finalizar, os canteiros são cobertos com uma camada espessa de biomassa, protegendo o solo e permitindo que a vida abaixo da superfície floresça naturalmente.

Um dos principais objetivos da nossa fazenda é ajudar a espalhar a agrofloresta pela região, mostrando aos agricultores locais que a agricultura regenerativa também pode ser economicamente viável. Após estudar tanto o clima quanto as oportunidades de mercado, escolhemos focar no cultivo de café orgânico especial dentro de sistemas agroflorestais, uma cultura de alto valor com forte demanda global e crescente potencial de mercado.
O clima de montanha da nossa região oferece condições ideais para o cultivo do café, especialmente porque o aumento das temperaturas e as mudanças climáticas estão afetando muitas áreas tradicionais produtoras de café.
Na Eco Caminhos, processamos o café nós mesmos para criar um produto final de maior valor, ao mesmo tempo em que demonstramos um modelo sustentável e lucrativo para o futuro da agricultura. Nosso objetivo é expandir o sistema para 7 hectares de café, e atualmente estamos experimentando três variedades de café Arábica: Araras, Catucaí Amarelo e Catucaí Vermelho.

Ao longo dos anos, temos experimentado diferentes desenhos de agrofloresta para criar o ambiente ideal para o cultivo do café. Através de cursos, pesquisa de campo e experiência prática, desenvolvemos duas principais técnicas de plantio: café plantado diretamente dentro das linhas de árvores, junto com outras espécies, e plantio mais adensado de café entre as linhas de árvores para aumentar a produtividade e tornar o sistema economicamente viável. Hoje, temos cerca de 4.000 pés de café plantados nesses diferentes sistemas.
Um dos maiores desafios é criar o equilíbrio ideal de sombra para as plantas de café, ao mesmo tempo em que se permite o desenvolvimento da jovem floresta nativa. Para apoiar esse processo, utilizamos uma diversidade de plantas “placenta”, como mandioca, amora, inhame, cúrcuma, feijão-de-porco e outras espécies de crescimento rápido que geram sombra, biomassa e melhores condições de solo para os cafeeiros. Fazemos podas cuidadosas dessas plantas para manter o equilíbrio ideal de luz em todo o sistema.
Também integramos espécies como o juçara, uma palmeira nativa protegida que produz açaí, criando valor ecológico e econômico adicional. Outra inovação importante tem sido o uso do capim-mombaça entre as linhas de café, inspirado nas técnicas de Ernst Götsch. Esse capim produz grandes quantidades de biomassa, ajuda a proteger o solo contra erosão, reduz o trabalho de manutenção e estimula naturalmente o crescimento de todo o sistema quando é podado. Através da observação contínua e da experimentação, estamos desenvolvendo um sistema de café regenerativo que é produtivo e ao mesmo tempo em harmonia com a floresta.

A manutenção dos sistemas agroflorestais pode ser um pouco chocante para quem está chegando pela primeira vez. Mas ela é essencial para criar florestas abundantes e é a tarefa mais intensiva em trabalho dentro da agrofloresta. No Eco Caminhos, dedicamos aproximadamente 10% do tempo ao plantio e 90% à manutenção.
Ernst Götsch, que transformou uma propriedade degradada de 200 hectares em uma floresta abundante com nascentes e córregos restaurados, ensina essas práticas aos seus seguidores. Ele explica que, em uma floresta natural, grandes e pequenos animais, insetos, tempestades e a queda de árvores criam os ciclos necessários para o desenvolvimento do ecossistema. A poda permite a entrada de raios de luz na floresta, possibilitando o desenvolvimento de novas árvores. Ramos, troncos e folhas cobrem o solo com biomassa e criam o alimento necessário para plantas e fungos formarem as micorrizas.
Além disso, como plantamos de forma extremamente adensada, precisamos podar continuamente para garantir luz suficiente para que as árvores de clímax se desenvolvam. Se não fizermos nada no sistema, nossa agrofloresta pode estagnar e até se transformar em uma floresta dominada por espécies de crescimento rápido plantadas na fase de “placenta”, como eucalipto e bananeiras. Por isso, vamos apresentar as etapas que praticamos na manutenção de um sistema agroflorestal:
Quando entramos em um sistema onde ainda há capim ou onde o capim-mombaça se desenvolveu, começamos com o corte utilizando roçadeira. A lâmina precisa estar bem afiada para garantir um corte na altura correta. O capim-mombaça, por exemplo, responde melhor quando cortado mais alto do que o capim-braquiária, pois rebrota com mais facilidade. Um corte limpo é essencial para estimular um bom rebrote e produção de biomassa.
Uma das tarefas mais importantes da agrofloresta, especialmente nos primeiros anos de desenvolvimento, é a capina seletiva. Precisamos remover plantas espontâneas de ciclo curto, pois elas consomem nutrientes e, ao completar seu ciclo rapidamente, podem gerar sinais que levam à estagnação do sistema.
Esse é um dos trabalhos que mais revela quem realmente deseja se tornar um especialista em agrofloresta. Muitas pessoas não gostam dessa etapa e acabam pulando-a, o que pode afetar seriamente o desenvolvimento do sistema. Quando cobrimos essas plantas indesejadas com biomassa, podemos acabar alimentando-as novamente, causando ainda mais desequilíbrio. Quanto mais evoluímos na agrofloresta, mais precisa se torna a capina.
Antes de podar, precisamos entender o que podar, por quê e como. Isso envolve compreender a estratificação da floresta, ou seja, a quantidade de luz que cada planta necessita. Apenas uma pequena porcentagem das árvores gosta de sol pleno; a maioria prefere sombra parcial ou intensa.
Com nove anos de experiência em agrofloresta, ainda estamos aprendendo diariamente. Hoje, realizamos podas mais intensas do que no início, pois percebemos que as árvores de clímax precisam de mais luz para se desenvolver. Cada espécie tem sua forma ideal de poda, e isso exige conhecimento, ferramentas adequadas, segurança e paciência.
A organização dos materiais podados não é aleatória. Assim como todas as tarefas na agrofloresta, ela exige ordem e intenção. Dizemos que, para ser um bom agricultor agroflorestal, é preciso entender o próprio papel dentro do sistema.
Materiais mais densos devem estar em contato direto com o solo, pois a madeira é o “ouro” da agrofloresta, transformando-se em composto rico e contribuindo para a formação de micorrizas. Em seguida, cobrimos com folhas, capim e plantas espontâneas que não rebrotam. Algumas espécies não podem ser usadas como biomassa porque voltam a crescer; essas são levadas para pilhas de compostagem específicas.
Após a manutenção, conseguimos visualizar melhor a estratificação do sistema. Árvores, arbustos e plantas ocupam seus devidos estratos, e fica mais fácil identificar o que está faltando. Quanto mais desenvolvido o sistema, mais difícil é replantar espécies maiores, com exceção dos estratos mais baixos, que se desenvolvem bem mesmo com pouca luz. Um bom exemplo é o café, que normalmente só é plantado cerca de dois anos após as demais árvores.
Após toda a manutenção, garantimos que o sistema de irrigação esteja corretamente reposicionado, caso ainda seja necessário. Em alguns sistemas mais maduros, a irrigação já não é mais necessária.
A frequência da manutenção depende principalmente do tempo disponível da equipe. Quanto mais tempo temos, mais frequentemente conseguimos passar pelos sistemas. Na prática, com 1 hectare conseguimos realizar a manutenção completa cerca de duas vezes por ano.
Expandimos apenas quando conseguimos manter controle total do sistema. Já aprendemos com erros de expansão excessiva, quando não conseguimos manter a frequência necessária e o sistema acabou estagnando.

No Eco Caminhos, um dos nossos principais objetivos é alcançar a autossustentabilidade completa, tanto em alimentos quanto em materiais de construção. Hoje, já produzimos cerca de 60% dos alimentos consumidos na fazenda, incluindo hortaliças, frutas, leite, ovos e carne. Nossa prioridade é oferecer alimentos saudáveis para todos que vivem e trabalham aqui, enquanto o excedente pode ser compartilhado com a comunidade local ou vendido para apoiar o projeto.
O que torna a Eco Caminhos única é o nosso compromisso de realmente viver os princípios que ensinamos. Em vez de apenas falar sobre permacultura, agrofloresta e bioconstrução, acreditamos que a transformação acontece por meio da prática diária e da experiência direta.
A maior parte dos ingredientes utilizados nos nossos almoços já vem diretamente da própria fazenda, e nosso objetivo é, no futuro, fornecer três refeições diárias provenientes principalmente da nossa própria terra. Voluntários, aprendizes e equipe também podem colher produtos frescos enquanto aprendem como fazer isso de forma correta e sustentável.

Uma das grandes vantagens da agrofloresta é que, uma vez que a floresta se estabelece, ela pode prosperar com pouca ou nenhuma irrigação. Após cerca de 2–3 anos, as árvores já desenvolveram sistemas radiculares profundos, o solo está protegido por camadas espessas de biomassa e os diferentes estratos da floresta começam a trabalhar juntos para reter a umidade de forma natural. Como diz Ernst Götsch, “plantamos água ao plantar florestas”. Em vez de depender de irrigação constante, buscamos criar ecossistemas resilientes, onde as árvores aprendem a buscar água em profundidade no solo, tornando-se mais fortes e resistentes às secas.
Durante os primeiros anos, no entanto, a irrigação é essencial, especialmente para os jovens pés de café e para o capim-mombaça durante o período seco do inverno. Na Eco Caminhos, utilizamos dois métodos de irrigação, dependendo do estágio do sistema. Nas fases iniciais, usamos tubos Santeno, que fazem uma irrigação suave por aspersão sobre os canteiros. À medida que a floresta se torna mais densa e o dossel se desenvolve, passamos para a irrigação por gotejamento, permitindo que a água penetre lentamente no solo e alcance as raízes de forma mais eficiente.
Nossos sistemas agroflorestais estão localizados nas encostas montanhosas de Nova Friburgo, onde o relevo natural permite o uso de sistemas de irrigação por gravidade, reduzindo a necessidade de bombas de água e tornando o sistema ainda mais sustentável.