NOSSA HISTÓRIA

SOBRE A ECO CAMINHOS

2014

FUNDADA

EM

+2.000

 VOLUNTÁRIOS

 RECEBIDOS

15.000

m² AGRO

FLORESTA

18.000

ÁRVORES

 PLANTADAS

4.000

PÉS DE

CAFÉ

60%

ALIMENTOS
CULTIVADOS
NO LOCAL

5

BIO

CONSTRUÇÕES

Volunteers working together in an agroforestry system at a permaculture farm in Brazil.
SOBRE A ECO CAMINHOS

Nossa Fazenda de Permacultura no Brasil

Em 2014, Hilaine, Bart, Nico e Lucas Bijen vieram ao Brasil com a visão de criar a fazenda autossustentável Eco Caminhos. Preocupados com o estado do nosso planeta e da humanidade, não queríamos permanecer passivos diante da destruição ambiental. Decidimos fazer a nossa parte e buscar uma forma de viver de maneira mais consciente, aprendendo na prática e compartilhando esse conhecimento com outras pessoas.

Também não queríamos oferecer cursos sem antes viver de fato a permacultura, a agrofloresta e a bioconstrução no nosso dia a dia. Acreditávamos que não seria coerente ensinar essas práticas sem antes aprendê-las profundamente por meio da experiência prática. Por isso, decidimos dedicar anos ao estudo, à experimentação e à implementação dessas técnicas na fazenda antes de compartilhá-las com outras pessoas.

Desde então, a Eco Caminhos vem construindo com técnicas naturais, implementando sistemas agroflorestais e seguindo os princípios da permacultura. Hoje, a fazenda é autossuficiente em energia, produz cerca de 60% dos próprios alimentos ,incluindo vegetais, frutas, carne, leite e ovos, e já plantou mais de 18.000 árvores.

Ao longo desses anos, a Eco Caminhos construiu quatro casas, uma oficina multifuncional e um estábulo para o gado utilizando técnicas de bioconstrução. Além disso, implementou 1,5 hectare de café em sistemas agroflorestais como projeto-piloto para demonstrar sua viabilidade técnica, produtiva e econômica.

Todos os anos, a fazenda recebe pessoas do Brasil e de diferentes partes do mundo interessadas em aprender sobre permacultura, agrofloresta e bioconstrução. Mais de 1.800 pessoas já passaram pela Eco Caminhos, permanecendo desde alguns dias até até três anos. Atualmente, a fazenda também é financeiramente autossustentável.

O objetivo atual da Eco Caminhos é tornar todo esse conhecimento acumulado acessível a um público mais amplo por meio da Escola de Permacultura Ecolibrium, que está em fase de construção. Acreditamos que a única forma de preservar e regenerar o nosso planeta é por meio da conscientização das pessoas, especialmente crianças, adolescentes e jovens adultos. Queremos inspirá-los e prepará-los para se tornarem líderes de um Brasil e de um mundo mais consciente e regenerativo, em harmonia com a natureza.

Volunteers, staff, and community members gathered together at Eco Caminhos in Brazil.

Nossa Abordagem para uma vida Sustentável

Prosperidade e harmonia com a natureza

Criar regiões conscientes e prósperas que harmonizem agricultura, vida e comunidade com a natureza

Nossa Missão

Ensinar os princípios da permacultura, agrofloresta, bioconstrução, empreendedorismo rural e ecoturismo tanto para públicos locais quanto internacionais.

A visão da Eco Caminhos surge da necessidade urgente de desenvolver formas de vida mais sustentáveis e regenerativas diante das crescentes crises ambientais que o planeta enfrenta. Acreditamos que é possível criar comunidades prósperas que vivam em maior harmonia com a natureza, produzindo alimentos, energia e oportunidades de forma consciente e equilibrada.

Para transformar essa visão em realidade, a missão da Eco Caminhos é compartilhar, de forma prática e acessível, o conhecimento acumulado ao longo dos anos em permacultura, agrofloresta, bioconstrução e empreendedorismo rural. Por meio da Escola de Permacultura Ecolibrium, buscamos formar crianças, adolescentes, jovens adultos, agricultores, estudantes e visitantes do Brasil e do mundo, demonstrando que modelos regenerativos também podem ser economicamente viáveis e gerar impactos ambientais, sociais e econômicos positivos.

Além disso, a Eco Caminhos busca atuar como um projeto multiplicador de agrofloresta na região, apoiando produtores rurais na transição para sistemas mais regenerativos, biodiversos e economicamente sustentáveis.

Uma visão do futuro do Ecolibrium, pelo artista criativo Daniel Balcazar (2019).

Objetivos de ensino específicos

 

Ensinar princípios e práticas de permacultura aplicados ao desenvolvimento de sistemas autossuficientes e regenerativos integrados à natureza.

A Eco Caminhos busca atuar como um projeto multiplicador de agrofloresta na região, apoiando produtores rurais na transição para sistemas agroflorestais mais regenerativos, biodiversos e economicamente sustentáveis. O objetivo é demonstrar, na prática, que é possível produzir alimentos e gerar renda ao mesmo tempo em que se restaura o solo, a água e a biodiversidade.

Ensinar técnicas de bioconstrução utilizando materiais locais, naturais, reciclados, sustentáveis e duráveis. Além de reduzir o impacto ambiental, essas construções proporcionam maior conforto térmico e qualidade de vida por meio de controle climático passivo, ventilação natural e regulação da umidade.

Capacitar participantes para desenvolver modelos de negócios sustentáveis e regenerativos nas áreas de agricultura, ecoturismo, educação ambiental e produção sustentável.

Promover a cooperação, o trabalho comunitário e a criação de redes colaborativas entre agricultores, estudantes, voluntários e organizações.

Inspirar e preparar os participantes para replicar modelos sustentáveis e regenerativos em outras regiões do Brasil e do mundo, ampliando o impacto positivo ambiental, social e econômico do projeto.

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

Seguimos os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), um conjunto de 17 metas globais definidas pelas Nações Unidas para acabar com a pobreza, proteger o planeta e garantir que todas as pessoas vivam em paz e prosperidade até 2031. Alinhamos nossas ações a esses objetivos para contribuir para sua realização.

Sustainable ODS Goals
Group of international students during an educational visit in Rio de Janeiro, Brazil.
Mountain landscape surrounding the Eco Caminhos permaculture farm in Brazil.

APRENDIZADO POR MEIO DA VIDA NA FAZENDA

Região de Impacto

O projeto inicialmente beneficiará a população de Nova Friburgo, da Região Serrana e das cidades metropolitanas do estado do Rio de Janeiro, conhecidas como Baixada Fluminense. Nova Friburgo é um município situado entre as montanhas, com clima ameno durante a maior parte do ano. Possui aproximadamente 200.000 habitantes e uma economia baseada em pequenas indústrias de moda íntima nos centros urbanos.

A área rural de Nova Friburgo está entre as maiores produtoras de morangos do estado, além de hortaliças como couve-flor, brócolis e alface. A Região Serrana do estado do Rio de Janeiro, onde está localizado o município de Nova Friburgo, situa-se entre as planícies costeiras ao norte do estado e o vale formado pelo Rio Paraíba do Sul, no interior.

A população total dessa região é de aproximadamente 873.837 habitantes. A Região Serrana é conhecida por suas características socioeconômicas distintas, além de seu clima mais frio e temperado em comparação ao restante do estado do Rio de Janeiro. A topografia montanhosa e a vegetação exuberante são características marcantes, com destaque para a Serra dos Órgãos e o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, que conta com cachoeiras e áreas de preservação ambiental. Entre os destinos mais conhecidos estão os municípios de Teresópolis, Petrópolis e Nova Friburgo.

Nosso Objetivo

 

Um dos principais objetivos do projeto Ecolibrium é incentivar agricultores locais a substituírem práticas poluentes por sistemas agroflorestais, criando um efeito multiplicador. Nosso objetivo é começar em Nova Friburgo, que atualmente conta com 1.820 agricultores (segundo dados do Programa Rio Rural – Região Serrana), e posteriormente expandir para toda a Região Serrana, alcançando um total de 17.477 agricultores.

Os agricultores da região são, em sua maioria, de famílias de baixa a média renda, com uma renda média de aproximadamente R$ 2.318 por mês. À medida que conseguirmos sensibilizar e engajar os agricultores locais, acreditamos que também atrairemos produtores de todo o Brasil e do mundo interessados em aprender essas técnicas. O Ecolibrium oferecerá a infraestrutura adequada para atender essa demanda.

Nosso objetivo é impactar a região e, posteriormente, o país por meio das novas gerações (escolas e universidades). Queremos atender 18.000 crianças da rede pública municipal e 12.000 da rede pública estadual de Nova Friburgo, totalizando 122 escolas. A proposta é selecionar entre 3% e 5% das crianças mais motivadas para um programa educacional intensivo em nossa fazenda, o que representa entre 540 e 900 crianças.

O município conta com universidades públicas e privadas que oferecem 38 cursos de graduação nas áreas de ciências humanas, biológicas, sociais, ambientais, educação, saúde, ciências exatas e tecnologia e inovação. Existem aproximadamente 3.000 estudantes universitários na cidade, na região e em outras localidades.

Nosso objetivo é atender, por meio de programas de formação, entre 3% e 5% desses estudantes (90 a 150 alunos) que demonstrem um perfil motivado para participação ativa em treinamentos e processos de colaboração.

Nosso foco é a juventude em situação de vulnerabilidade, proveniente de contextos sociais fragilizados e com poucas oportunidades de acesso a empregos de qualidade. Como mencionado anteriormente, 40% dos participantes vieram de orfanatos, 90% de famílias de baixa renda e 20% diretamente das ruas. A maioria é do Rio de Janeiro, alguns de Nova Friburgo, e também já recebemos refugiados venezuelanos e argentinos.

Em 2024, receberemos um aprendiz do nosso projeto parceiro Mais Caminhos e outro do projeto Off Grid em Nova Friburgo. Com o novo complexo, queremos receber um total de 16 aprendizes, que viverão e trabalharão em tempo integral na fazenda, quatro vezes mais do que atualmente.

Queremos atender todos os segmentos da região e capacitar pessoas de diferentes classes sociais, promovendo inclusão e integração. Acreditamos que a disseminação das técnicas de bioconstrução trará benefícios para o meio ambiente, para as pessoas e para o planeta.

Com a construção do Centro Ecolibrium, poderemos oferecer cursos e programas de formação para todos que desejam aplicar técnicas mais sustentáveis, adequadas à situação atual do nosso planeta. Especialmente para as populações mais vulneráveis e de baixa renda, queremos desenvolver.

É claro que é algo ambicioso afirmar que iremos formar fazendas ao redor do mundo para se tornarem multiplicadoras, assim como estamos nos tornando. Ainda assim, o que temos observado na América do Sul é que muitos projetos de permacultura são mal geridos, resultando em impactos limitados.

A combinação de técnicas sustentáveis com um bom modelo de negócio é o nosso principal diferencial e pode gerar um enorme impacto social e ambiental a longo prazo. Já estamos sobrecarregados pela demanda de voluntários, aprendizes e pedidos de consultoria em bioconstrução.

Com uma fazenda bela e autossustentável, uma escola de permacultura, produção orgânica de café e um restaurante com produtos próprios, esperamos nos tornar a principal fazenda de permacultura do Brasil nos próximos 5 anos.

Como nós iremos garantir Impacto?

Pesquisa e construção de conhecimento

Nos últimos 9 anos, participamos de formações com alguns dos maiores especialistas em agrofloresta do mundo, buscando aprender e aprimorar técnicas sustentáveis de uso da terra. A partir da análise do clima e das oportunidades de mercado, decidimos focar na produção de café dentro de sistemas agroflorestais.

A região serrana onde a Eco Caminhos está localizada tem condições ideais para o cultivo de café. Com o aquecimento global, essas áreas estão ficando ainda mais favoráveis em comparação com regiões tradicionais, onde o aumento das temperaturas tem dificultado cada vez mais a produção.

Todo o café é processado na própria fazenda, para agregar valor ao produto. Já plantamos cerca de 17.000 árvores nativas, frutíferas e madeireiras, além de 4.000 pés de café. No total, trabalhamos com aproximadamente 260 espécies de árvores, a maioria nativas da Mata Atlântica. Nosso objetivo é expandir esse sistema para 7 hectares, sendo no mínimo 3 hectares necessários para alcançar uma produção de café lucrativa nos próximos 5 anos.

O produto final será um café orgânico especial tipo arábica, com alto valor de mercado. Atualmente estamos testando três variedades: Arara, Catucaí Amarelo e Catucaí Vermelho.

A agrofloresta é basicamente a integração de árvores, arbustos e palmeiras com cultivos agrícolas e criação de animais. Essas práticas ajudam o agricultor a diversificar a produção e ao mesmo tempo gerar benefícios sociais, econômicos e ambientais. As árvores não servem só para produzir alimentos, mas também melhoram o solo, fornecem madeira, protegem a biodiversidade, conservam a água e ajudam a reduzir os impactos das mudanças climáticas.

O café é um mercado muito favorável, principalmente o café orgânico e especial. A demanda por esse tipo de café não para de crescer, enquanto o clima e os custos de produção na monocultura estão ficando cada vez mais difíceis, com fertilizantes mais caros e falta de água.

Nos sistemas agroflorestais, o uso de fertilizantes pode cair muito já no primeiro ano, e a necessidade de irrigação pode praticamente zerar depois de cerca de três anos. Além disso, os pés de café vivem até três vezes mais nesse sistema, aumentando o tempo de produção e a rentabilidade. Outra vantagem é que, após cerca de 14 anos, também é possível colher madeira das árvores, gerando uma renda extra importante.

Diferente da monocultura, a agrofloresta exige um investimento inicial maior (formação, preparo do solo, plantio de árvores, ferramentas e mão de obra), mas o retorno começa a aparecer por volta do quinto ano, com margens de lucro bem maiores no longo prazo.

Outro ponto importante é que o sistema permite plantar culturas de curto ciclo, como hortaliças, entre as linhas de café e árvores. Isso garante renda já nos primeiros 30 a 60 dias após o plantio, ajudando o agricultor a não ficar sem renda enquanto o café ainda está crescendo.

A nossa estratégia de transformação é baseada em demonstração prática, formação e viabilidade econômica. Ou seja, mostrar na prática que funciona, tanto no campo quanto financeiramente, para convencer outros agricultores.

Depois disso, os agricultores entram em programas de formação mais intensiva, com temas como:

  • teoria e prática de agrofloresta
  • manutenção dos sistemas
  • colheita e poda
  • processamento do café (secagem, torra e embalagem)
  • vendas e mercado
  • desenvolvimento de negócios
  • formação de cooperativas
  • acesso a financiamento

Um dos maiores desafios hoje é o custo inicial alto e o retorno demorado (cerca de 5 anos até começar a dar lucro). No Brasil, os juros altos também dificultam muito o acesso a crédito para pequenos produtores. Por isso, pensamos em soluções coletivas, como cooperativas e venda conjunta da produção.

No começo, a Eco Caminhos também pode ajudar comprando ou comercializando o café dos agricultores até que o sistema cooperativo esteja mais estruturado.

A ideia é começar localmente, em Nova Friburgo e região, e depois expandir para todo o Brasil e até outros países. A expectativa é que em 5 anos tenhamos pelo menos 10 agricultores aplicando o sistema com sucesso, em 10 anos cheguemos a 100 agricultores e, em 20 anos, possamos impactar milhares de produtores.

Criação de cooperativas

À medida que os primeiros agricultores começarem a produzir com agrofloresta, queremos ajudar na criação de cooperativas locais. Isso permite organizar melhor a produção e a venda, além da compra coletiva de insumos como sementes, mudas e ferramentas.

Trabalhando juntos, os agricultores conseguem melhores preços, mais força de negociação e divisão de infraestrutura e riscos.

A Eco Caminhos (através da associação Ecolibrium) não quer explorar a produção dos agricultores, mas sim atuar na formação, apoio técnico e educação. A ideia é que os agricultores se tornem independentes e ao mesmo tempo mais conectados em rede.

Cada micro-região deve desenvolver sua própria cooperativa. E com o tempo, outros sistemas também podem ser integrados, como cacau e frutas.

Para isso, o Ecolibrium vai desenvolver programas completos de formação em parceria com instituições como SEBRAE, EMBRAPA, EMATER, OCB e universidades locais.

Recebemos com frequência solicitações de escolas e universidades que não possuem nenhum tipo de aula prática em agricultura sustentável, permacultura, agrofloresta e bioconstrução. Em alguns casos conseguimos oferecer treinamentos, mas muitas vezes não conseguimos atender devido à falta de infraestrutura.

Com o espaço Ecolibrium, essa limitação deixará de existir, pois poderemos atender grupos maiores com mais frequência. Além disso, com o restaurante no local, poderemos servir esses grupos durante todo o dia, já que até agora só conseguimos receber um grupo por período (manhã ou tarde), por não conseguirmos oferecer almoço.

Para muitos estudantes, a sustentabilidade é uma motivação importante para cursar biologia, agronomia ou engenharia florestal, mas eles precisam de aulas práticas. E, na maioria dos casos, os professores também têm pouco conhecimento em agrofloresta, bioconstrução e permacultura, além de não terem experiência prática.

Também recebemos com frequência ex-alunos em experiências de voluntariado e nos surpreendemos com o pouco ou nenhum conhecimento que muitos têm sobre esses temas.

As escolas e universidades locais têm interesse em colaborar e, com a infraestrutura adequada, poderemos estabelecer parcerias que serão positivas para todos: para eles, para nós e para o público atendido. Além dos estudantes, os professores também poderão colocar seus conhecimentos em prática na fazenda.

Além disso, poderemos oferecer consultoria para escolas e universidades implementarem seus próprios sistemas agroflorestais e estratégias de gestão de resíduos, como compostagem, hortas e uso da água.

Para desenvolver um projeto educacional especial, convidamos lideranças do sistema educacional de Nova Friburgo preocupadas com o desenvolvimento social e ambiental. Um exemplo disso foi uma reunião de visita com profissionais locais, incluindo Marcelo Verly, ex-secretário de educação, presidente do Conselho de Ciência, Tecnologia e Inovação, professor universitário e pesquisador da UERJ; Ana Moreira; Alicia Vieira, coordenadora do curso de arquitetura da Universidade Estácio de Sá, entre outros.

Todos concordam que há uma grande necessidade de espaços de formação complementar sobre sustentabilidade, desenvolvimento sustentável, produção e consumo, ação climática, preservação e conservação, entre outros temas.

Juntos, desenvolvemos um plano para estruturar a parceria entre diferentes atores locais, com o objetivo de ter o Ecolibrium como um parceiro estratégico na inclusão de atividades práticas e complementares no currículo universitário.

Nosso programa de aprendizado na fazenda está em funcionamento desde 2015 e já recebeu jovens em situação de vulnerabilidade. Até o momento, 24 participantes passaram por aqui, permanecendo de três meses até três anos, aprendendo permacultura, agrofloresta, bioconstrução e inglês.

A maioria desses jovens aprendeu a trabalhar de forma responsável e adequada, tornando-se cidadãos mais conscientes e respeitosos. Além de aprenderem práticas agrícolas, também desenvolveram habilidades de cuidado com suas próprias necessidades diárias. Os resultados são impressionantes, e é possível ver uma transformação real em suas vidas.

Alguns dados:
• 40% vieram de orfanatos
• 90% vieram de famílias de baixa renda
• 20% vieram diretamente das ruas
• 100% dos que concluíram o programa saíram com emprego
• 20% atualmente falam inglês avançado
• 2 aprendizes hoje são contratados pela própria Eco Caminhos
• 33% dos que não concluíram pediram para retornar ao programa para uma segunda chance

Com o novo espaço, esperamos atender até 16 aprendizes por ano, o que representa quatro vezes mais do que atendemos atualmente. Também poderemos expandir a formação profissional para áreas como hospitalidade, culinária e processamento de café, hortaliças, frutas, leite e ovos, transformando-os em produtos de maior valor agregado.

Embora 16 possa parecer pouco, é importante considerar que trabalhamos com jovens em situação de vulnerabilidade, muitas vezes com déficits educacionais e habilidades práticas. Esses aprendizes frequentemente precisam de apoio em tarefas básicas como cozinhar, organizar-se e desenvolver postura profissional. Por isso, priorizamos qualidade em vez de quantidade, garantindo uma experiência verdadeiramente transformadora, que abre oportunidades antes inacessíveis.

Por esse motivo, acreditamos que 16 é o número máximo ideal para um único centro. Sob supervisão da nossa equipe, os aprendizes têm um papel importante na operação da fazenda e do futuro espaço Ecolibrium, permitindo também atender outros grupos de interesse mencionados anteriormente.

Nos próximos 5 a 10 anos, queremos nos tornar um centro educacional reconhecido para jovens em situação de vulnerabilidade no Brasil e no mundo.

O Espaço Ecolibrium abrigará uma área multifuncional que será utilizada como restaurante, espaço comum, centro de cursos e local para eventos. Receberemos pessoas da cidade, da região, de todo o país e do mundo. Com um design único, esperamos que o espaço inspire as pessoas a copiar e replicar o modelo.

Atualmente, a fazenda já conta com duas belas casas, um curral, um depósito de ferramentas e um galinheiro. Trabalhamos com bioconstrução em conjunto com as melhores técnicas de uso racional de energia, utilizando energia solar e biomassa, além de técnicas de aquecimento térmico para melhorar o conforto climático, mantendo as casas quentes no inverno e frescas no verão. Na região, muitas casas sofrem com falta de aquecimento adequado no inverno e alta umidade no verão, mas em nossas construções esses problemas não existem.

Hoje, já recebemos diversos pedidos para implementar projetos de bioconstrução em diferentes partes do país. Como ainda não conseguimos atender diretamente essas demandas, contamos com profissionais já formados aqui na fazenda. Somente em Nova Friburgo, cinco casas já foram construídas fora da propriedade com base na nossa experiência ou recomendações. Esses pedidos estão aumentando, à medida que o trabalho vem sendo reconhecido e valorizado, refletindo a relevância crescente da Ecolibrium.

Todos os anos, formaremos novos profissionais de bioconstrução por meio dos nossos programas de aprendizagem. Nosso impacto já está se expandindo pelo mundo. Por exemplo, dois ex-voluntários aplicaram as técnicas aprendidas aqui para fundar a Quinta Tommati, em Portugal, e hoje também estão formando outras pessoas.

Nosso próximo passo será oferecer suporte profissional a essas iniciativas, incluindo treinamentos online, orientação técnica e a participação de especialistas da nossa equipe dedicando tempo para capacitar novos projetos localmente. Isso pode gerar um grande impacto e um efeito multiplicador, no qual novas fazendas passam a formar outras.

O “Espaço Ecolibrium”, um complexo circular de bioconstrução de 1200 m² com telhado verde, junto com as demais construções da fazenda, será uma grande fonte de inspiração, ampliando ainda mais o impacto do nosso trabalho. Por isso, esperamos grande visibilidade durante a construção e especialmente após a inauguração, já que, até agora, já recebemos frequentes pedidos de entrevistas e reportagens de veículos de comunicação locais e regionais.

Em nosso canal no YouTube, apresentamos vídeos e materiais de divulgação que serão ampliados no futuro.

Quando o espaço Ecolibrium estiver pronto e apresentando resultados positivos, poderemos oferecer suporte a outras fazendas, escolas e organizações sociais com objetivos semelhantes ao redor do mundo. Precisaremos selecionar organizações que entendam que um bom plano de negócios é essencial para gerar impacto social e ambiental.

Já somos referência para algumas fazendas que utilizam nosso modelo como exemplo. Cada região possui seu próprio clima, mercado, desafios e oportunidades. Trata-se de realizar uma análise social, ambiental e de mercado para identificar os produtos mais adequados que possam gerar renda dentro de sistemas agroflorestais locais.

Assim como no nosso caso, o potencial de geração de renda adicional por meio do ecoturismo, cursos, treinamentos e venda de produtos também contribui para a saúde financeira do projeto. Quando uma organização atinge um nível maduro de desenvolvimento, ela se torna uma referência, demonstrando que o modelo pode funcionar em diferentes contextos e realidades.

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